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SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS: como orientar esportistas e atletas?


SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS: como orientar esportistas e atletas?

Tem sido observado no Brasil o uso abusivo de suplementos alimentares para fim ergogênico (para melhorar o desempenho do esportista) e estético. Esta atitude tem crescido nos ambientes de prática de exercício, tendendo à generalização em algumas academias de ginástica e associações esportivas (1).

A situação, em parte, decorre da falta de conhecimento de que uma alimentação balanceada e de qualidade, a não ser em situações especiais, atende às necessidades nutricionais de um praticante de exercícios físicos, o que dispensaria o uso de suplementos alimentares (1).

Porém, a realização de suplementação vitamínica em atletas e esportistas ainda é tema controverso e de grande discussão na literatura médica. Uma das razões para tal controvérsia relaciona-se a estudos que demonstram o aumento da produção de radicais livres de oxigênio durante exercício físico promovendo o aparecimento do estresse oxidativo (2).

Os micronutrientes (vitaminas, minerais e oligoelementos) desempenham papel importante na proteção dos tecidos corporais em relação ao estresse oxidativo. Além disso, são fundamentais na produção de energia, síntese de hemoglobina, manutenção da saúde óssea e função imunológica. De um modo geral, os micronutrientes presentes em dietas balanceadas e diversificadas em alimentos, com aporte calórico suficiente para atender a demanda energética, são suficientes para as necessidades do esportista (2,3). Na realidade nada é capaz de substituir as vitaminas, minerais, fibras e outros nutrientes existentes em uma alimentação balanceada. Porém, nossos hábitos alimentares e estilos de vida somados ao baixo teor de nutrientes de alguns alimentos em função dos processos de cultivo e produção, cozimento, armazenamento e transporte, podem fazer com que a alimentação não forneça todos os nutrientes necessários ao organismo.

A Associação Dietética Americana (ADA) recomenda a suplementação em algumas situações especiais, como o uso de ácido fólico em gestantes, cálcio na vigência de osteoporose e osteopenia, ferro para anemia e para indivíduos que não possuem uma alimentação adequada em calorias e variada em alimentos. Para atletas, a mesma instituição orienta que a suplementação pode ser utilizada quando o esportista estiver em fase de emagrecimento, apresentar a necessidade de retirar algum alimento ou grupo alimentar da dieta, doença ou deficiência de determinado micronutriente. Alguns trabalhos, que avaliaram atletas em regime de treinamento intenso, sugerem o consumo de vitamina C e vitamina E entre 500 e 1.500 mg/dia, para melhor resposta imunológica e antioxidante. No entanto, essa informação está baseada em baixo grau de evidência científica. De qualquer maneira, nenhuma suplementação pode ser consumida sem a avaliação do médico ou nutricionista, para que não haja prejuízo para a saúde humana (1).

Os benefícios e prejuízos à saúde podem ser observados, por exemplo, no betacaroteno, precursor da vitamina A, que é o mais eficiente bloqueador de oxigênio singlet (a forma mais reativa de oxigênio). Segundo a DRI (Dietary Reference Intakes), a dose diária recomendada é de no máximo 3000 μg/dia de retinol (unidade de atividade da vitamina A) para homens e mulheres adultos. Entretanto, o betacaroteno pode apresentar ação pró-oxidante, por meio da interação com outro antioxidante, como a vitamina E, ou ainda interferindo no metabolismo da glutationa e de outras enzimas antioxidantes. Alguns autores sugerem que, p

ara alcançar um efeito quimiopreventivo evitando a oxidação do betacaroteno, são necessárias quantidades adequadas de vitamina C e E. O consumo de doses maiores coloca em risco a saúde pela alta toxicidade e por favorecer o aparecimento de anorexia, hipercalcemia, lesão hepática e renal (2,3).

O zinco está envolvido no processo de respiração celular e sua deficiência em atletas pode gerar anorexia, perda de peso, fadiga, queda no rendimento em provas de endurance (resistência) e risco de osteoporose. Entretanto, as evidências científicas não justificam o uso sistemático do zinco em suplementação nutricional. Segundo a DRI (Dietary Reference Intakes), a dose diária recomendada para adultos é de no máximo 11 mg/dia de zinco para homens e 8 mg/dia para mulheres (2-5).

Atletas em dietas de restrição calórica podem sofrer deficiências no aporte de minerais. A falta de cálcio e ferro, por exemplo, pode causar fadiga e anemia, afetando a performance (desempenho) e o sistema imunológico. Recomenda-se que a dieta contenha quantidades mínimas de 1.000 mg/dia de cálcio, 15 mg/dia de ferro para mulheres e 10 mg/dia para homens. Tais necessidades são contempladas pela manipulação dietética e, em último caso, pela suplementação multivitamínica (2-5).

Contudo, o estresse dos exercícios pode resultar numa adaptação bioquímica muscular que aumenta as necessidades nutricionais. O ajuste da dieta, em termos de macronutrientes, para as maiores necessidades calóricas decorrentes das atividades esportistas, proporciona concomitantemente ajuste no consumo de micronutrientes. Portanto, o estilo de vida saudável, incluindo dieta balanceada, elevado consumo de frutas e vegetais ricos em nutrientes com ação antioxidante e de acordo com as DRIs, é a melhor maneira de orientar esportistas e atletas. Se houver necessidade do uso de suplementos alimentares, é importante que se mantenha a alimentação da forma mais saudável possível e que se tenha a orientação de um profissional especializado.

Graziela Ravacci
Nutricionista e Professora de Educação Física formada pela UNESP. Mestranda do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da USP e pesquisadora do laboratório Metanutri da FMUSP.

Referências Bibliográficas:
1. American Diet Association. Position of the American Diet Association, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic performance. Journal of American Diet Association 2000;100(12):1543-56.

2. Urso ML, Clarkson PM. Oxidative stress, exercise, and antioxidant supplementation. Toxicology 2003;15:189(1-2):41-54.

3. Aruoma OI. Free radicals and antioxidant strategies in sport. J Nutr Biochem 1994;5:370-81.

4. Carvalho T, Rodrigues T, Meyer F, Lancha Jr AH et al. Diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Revista Brasileira de Medicina do Esporte 2003;9(2):1-13.

5. Maughan RJ, Leiper JB, Shirreffs SM. Factors influencing the restoration of fluid and electrolyte balance after exercise in the heat. Br J Sports Med 1997;31:175-82.

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