Pular para o conteúdo principal

Equilíbrio na alimentação é boa estratégia para a perda de peso


Estudo recente concluiu que as dietas que enfatizam um aumento no consumo de gorduras, proteínas ou carboidratos podem ter sucesso na perda de peso e efeitos benéficos na redução dos fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes. Quando estas dietas são adaptadas com base nos costumes e preferências de cada indivíduo, as chances de sucesso em longo prazo aumentam.

Existe um intenso debate na literatura sobre qual a dieta mais eficiente para o tratamento do sobrepeso. Pensando nisso, os autores deste estudo selecionaram indivíduos obesos e com sobrepeso (índices de massa corporal de 25 a 40 Kg/m2), com idades entre 30 e 70 anos e os dividiram aleatoriamente em quatro grupos, de acordo com a dieta que seguiriam durante dois anos:

Baixa em gordura (20%), média em proteína (15%) e normal em carboidratos (65%);

Baixa em gordura (20%), alta em proteína (25%) e normal em carboidratos (55%);

Alta em gordura (40%), média em proteína (15%) e baixa em carboidratos (45%);

Alta em gordura (40%), alta em proteína (25%) e baixa em carboidratos (35%);

Uma preocupação foi constituir todas as dietas com 8% ou menos de gordura saturada, mínimo de 20 g de fibras alimentares por dia e 150 mg ou menos de colesterol para cada 1000 Kcal ofertadas. A prescrição calórica de cada participante representava um déficit de 750 Kcal por dia do valor energético total.

Os alimentos que foram recomendados para todas as dietas eram similares e os participantes foram instruídos a relatar diariamente seu consumo alimentar em um diário virtual, assim como sua atividade física (que deveria ser de 90 minutos de exercícios moderados por semana). Além disso, também deveriam comparecer periodicamente a reuniões em grupo e individuais, durante os dois anos, para a promoção da aderência às dietas.

O peso corporal, circunferência da cintura, urina de 24 horas, pressão sanguínea, lipídios séricos, glicose, insulina e hemoglobinas glicadas foram medidos antes e durante os dois anos de estudo.

Foram excluídos do programa indivíduos diabéticos, com doenças cardiovasculares instáveis, que faziam uso de medicamentos que interferissem no peso corporal.

Sendo assim, foram selecionados 811 participantes, dos quais apenas 645 (80%) seguiram o programa até o fim. Os resultados de todos os indivíduos foram comparados e tiveram significância estatística aqueles com p > 0,05. A perda de peso após dois anos foi similar entre os grupos que seguiram a dieta com 25% e 15% de proteína (4,5 e 3,6 Kg, respectivamente; p = 0,11) e entre os grupos que consumiram 40% e 20% de gordura (3,9 e 4,1 Kg, respectivamente; p = 0,76). A quantidade de carboidratos da dieta não interferiu na perda de peso.

A maior perda de peso ocorreu durante os primeiros seis meses de dieta (comparando todos os tipos de dieta). Após 12 meses, houve reganho de peso em todos os grupos e somente 23% dos participantes continuaram perdendo peso até completarem dois anos de dieta. Esta diminuição da aderência à dieta após os primeiros meses é comum, segundo outros estudos. A diminuição da circunferência da cintura foi em média 5,75 cm, não havendo diferença significativa entre os grupos.

No segundo ano, em média 34% dos participantes tinham perdido 5% do seu peso corporal inicial; 14,5% perderam 10% do peso; e 3% dos participantes perderam 20 Kg ou mais (p > 0,20, ou seja, sem diferença significativa entre os grupos). “A principal descoberta deste estudo foi que todas as dietas tiveram sucesso na promoção da perda de peso”, dizem os autores.

Todas as dietas reduziram os riscos para doenças cardiovasculares. Porém, as dietas baixas em gordura e as com maiores teores de carboidratos foram as que mais diminuíram o LDL-c (colesterol de baixa densidade). Já a dieta com o menor teor de carboidrato foi a que mais aumentou os níveis de HDL-c (colesterol de alta densidade), provavelmente por estar acompanhada de alto consumo de proteínas e gorduras. Todas as dietas proporcionaram uma diminuição dos triglicerídeos em 12% a 17% e, com exceção da dieta com maior concentração de carboidratos, todas as dietas diminuíram a insulina plasmática de jejum em 6% a 12% (a diminuição foi maior no grupo da dieta com alta proteína). A pressão sanguínea dos participantes diminuiu de 1 a 2 mmHg, sem diferença entre os grupos (p > 0,59). Houve maior diminuição na excreção de nitrogênio urinário no grupo que seguiu a dieta média em proteína, comparado à dieta alta em proteína.

“Ainda não se sabe qual a melhor dieta para a perda de peso, uma vez que os estudos nessa área trazem resultados divergentes. Porém, acreditamos que os fatores comportamentais exercem grande influência na perda de peso e que qualquer tipo de dieta, se realizada com entusiasmo e persistência, pode ser eficiente”, concluem os autores.

Data: 20/03/2009
Autor(a): Iara Waitzberg Lewinski


Referência(s)

Sacks FM, et al. Comparison of weight-loss diets with different compositions of fat, protein, and carbohydrates. N Engl J Med. 2009;360(9):859-73.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Suco de fruta: o grande amigo do verão

O verão traz com ele a necessidade de beber muito líquido para manter o corpo hidratado, mas isso não significa que vale a pena matar sua sede com refrigerantes, não importa se com ou sem açúcar. Para se refrescar de verdade e garantir muita saúde, nada melhor que água e sucos naturais. Os sucos , além de refrescarem, hidratam e fornecem muitos nutrientes ao organismo e precisam ser feitos a partir de frutas frescas. Nem pense em ao comprar os famosos (e adorados pelas crianças) sucos artificiais de pozinho, isso porque eles são ricos em calorias e contêm conservantes e corantes, que podem causar alergias, gastrite e até conter substâncias cancerígenas. O consumo desse tipo de produto acaba causando um grande esforço do corpo para purificar e limpar todas essas substâncias maléficas. Como se não bastasse, o consumo excessivo dessas bebidas coloridas e doces, mesmo sendo dietéticas, por terem um sabor acentuado, Vale lembrar que, dependendo de como são feitos, os sucos podem ser...

Receita saudavel

PANQUECA DE AVEIA COM FRANGO Rendimento = 6 porções (155g cada) Ingredientes Massa: 1/2 xícara (chá) de água 1 ovo 1 colher (chá) de azeite de oliva 4 colheres (sopa) de aveia em flocos finos 2 colheres (sopa) de farinha de trigo sal a gosto Recheio: 300 g de filé de frango 1 cebola picada 1 tomate picado sal a gosto salsinha picada Modo de Preparo Massa: Bata todos os ingredientes no liquidificador e faça 6 panquecas em frigideira antiaderente. Reserve. Recheio: Frite os filés e junte o restante dos ingredientes. Deixe cozinhar até amaciar. Bata no processador e recheie as panquecas.

Dietas muito rígidas podem acabar com seu humor Praticar atividades que dêem prazer ajudam a compensar a falta de alimentos

Mau humor, depressão e ansiedade podem ser resultado de uma alimentação desequilibrada, adotada, normalmente, por quem quer perder peso de forma rápida. Apesar de funcionarem momentaneamente, dietas rígidas demais não são saudáveis, não ajudam a emagrecer de maneira sustentável e ainda podem detonar o seu lado emocional. Estudos sugerem que a serotonina, um neurotransmissor do sistema nervoso central associado à sensação de bem-estar, contribui para a saciedade atingida após uma refeição. Uma pesquisa mostrou que um plano alimentar contendo, por exemplo, mil calorias diárias e baixo teor de carboidratos (pão, bolacha, aveia, barra de cereal, macarrão, arroz, batata e tudo que contenha farinha de trigo) afeta o nível de serotonina no cérebro de mulheres saudáveis. Isso dificultaria a obtenção de saciedade, o que as deixaria de mau humor durante a dieta. A anemia pode ser outro motivo de problema em regimes rígidos. A doença é causada por deficiência de ferro, encontrado em alimentos co...